Perturbações de humor intensas – como lidar e quais são as causas e sintomas?

O ser humano não assiste aos acontecimentos da sua vida de uma forma neutra.

Todas as vivências nos afetam, de algum modo.

É esta afetividade que confere a cada momento uma sensação subjetiva, que nos
permite orientar o comportamento mediante os diferentes objetivos.

Todos nós sentimos mudanças de humor. Por vezes sentimo-nos felizes e confiantes
com o mundo que nos rodeia. Outras, a tristeza ou o desânimo podem surgir e o
mundo parece pesado e sem cor, podendo estes diferentes sentimentos serem
vividos no espaço de um dia, sem que este aspeto seja patológico e interfira de forma
desadequada na nossa vida. A tristeza e a alegria são emoções básicas normais do
quotidiano e são diferentes da depressão e mania, que caracterizam as perturbações
de humor.

A tristeza é uma resposta natural a um acontecimento de vida específico
negativo, como a perda, circunscrita no tempo e que se atenua num espaço temporal.
Contudo, quando estas mudanças de humor ocorrem de uma forma extrema e
repetida, interferindo no normal funcionamento e alterando significativamente a
forma de estar, sentir e pensar, com consequências gravosas para o bem-estar
psicológico e físico, que tanto a própria pessoas como as pessoas mais próximas,
sentem que algo pode não estar bem. Nessas situações podemos estar perante uma
perturbação de humor.

As perturbações de humor são aquelas nos quais o sintoma central é a alteração do
humor ou do afeto, que afeta diversas áreas da vida do indivíduo (profissional,
familiar, social...). São perturbações de saúde mental nas quais as alterações
emocionais consistem em períodos prolongados de tristeza excessiva, de exaltação
excessiva ou euforia, ou ambos. A depressão e a mania representam os dois
extremos opostos, ou polos, das perturbações de humor.

Causas


Considera-se que na etiologia das Perturbações de Humor interagem fatores de
várias ordens: fatores hereditários, psicológicos e sociais.
Existe uma predisposição hereditária para alguns tipos de Perturbações de Humor,
sabendo-se que estas têm uma maior incidência entre pais, filhos e irmãos
(nomeadamente gémeos monozigóticos). Sabe-se, por exemplo, que gémeos de
doentes com certas depressões, têm cerca de 70% a 80% de probabilidades de vir a
ter a doença, mesmo que vivam em ambientes diferente


Os fatores psicológicos têm também um papel significativo na origem das
Perturbações de Humor, sobretudo nas perturbações depressivas, considerando-se
nomeadamente que as mudanças ocorridas na depressão são em muito
dependentes de perdas de autoestima. São também entendidos como possíveis
precipitantes da depressão, a perda ou falha em obter amor, o experienciar
comportamentos ou sentimentos que podem fazer com que o sujeito se sinta
culpado ou sem valor, a dificuldade ou incapacidade em atingir metas realistas ou
irrealistas, assim como a separação do objeto amado (tanto na
infância/adolescência como na idade adulta).

O tipo de personalidade, os recursos internos e estratégias de coping, podem
também correlacionar-se com uma maior predisposição para crises depressivas.
Os fatores sociais têm também influência na manifestação da depressão. Embora
possa afetar pessoas de todas as idades e de todas os estratos sociais, o risco de
depressão aumenta com a pobreza, desemprego, doenças físicas e problemas
causadas pelo uso de álcool e drogas. Os acontecimentos traumáticos da vida
contribuem também para o aparecimento da depressão. Problemas familiares, o
stress diário, a morte de alguém próximo, as doenças, uma crise financeira, conflitos
prolongados, podem funcionar como desencadeantes ou facilitadores de episódios
depressivos.

Os conhecimentos atuais da ciência, permitem também evidenciar a existência de
alterações em algumas substâncias cerebrais (neurotransmissores), na depressão.
O Síndrome do Cólon Irritável e eventos adversos de vida na infância são
considerados fatores de risco para a Perturbação Bipolar.
Como lidar?


Existem meios para tratar as perturbações de humor. Dependendo do tipo e
gravidade da perturbação de humor, incluem-se a psicoterapia, farmacoterapia ou
combinação de ambas. Uma rede de suporte sólida e a prática de atividade física
constituem também contributos significativos para o tratamento das perturbações
de humor.


A psicoterapia EMDR, terapia de dessensibilização e reprocessamento através do
movimento ocular, demonstrou evidência na Perturbação Bipolar com perturbação
de stresse pós-traumático ou eventos traumáticos da vida, sendo também eficaz no
tratamento da depressão. A psicoterapia EMDR é efetuada por psicólogos e médicos
psiquiatras com formação específica para a realização da mesma.


No que respeita à farmacoterapia, as crises depressivas são tratadas com
medicamentos antidepressivos e as crises de mania tratam-se com estabilizadores
do humor, cuja ação terapêutica diminui muito a probabilidade de recaídas, tanto
das crises de depressão como de mania, bem como com medicamentos
neurolépticos antipsicóticos. A escolha do tratamento farmacológico é da
competência de médicos psiquiatras.

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